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quarta-feira, 2 de março de 2011

O BANQUETE DO EVANGELHO - Parte 1 de 3

("Certo homem deu uma grande ceia e convidou a muitos. Eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia" - Lucas 14: 16 e 24)

         Uma leitura ainda que desatenta do texto compreendido entre os versículos 16 e 24 de Lucas 14 nos faz notar que todos os convidados, na parábola, foram chamados para participar da ceia do Senhor. Aqueles que estavam cuidando de seus próprios interesses também receberam o convite. Foram chamados, mas recusaram-se a participar da festa. O que os difere daqueles que entraram na casa e provaram a ceia? Precisamente o fato de que os outros não foram apenas chamados; eles foram também escolhidos. O convite aos últimos não foi feito em termos de "se você quiser", "queira aceitar", "por bondade", "tenha misericórdia", ou coisa parecida. Houve uma escolha definida, de maneira que o servo do senhor trouxe alguns e outros forçou a entrar para que participassem da grande ceia, ou do banquete.
         No reino de Deus é assim: muitos são chamados, mas poucos são  escolhidos (Mateus 20:16; Mateus 22:14). A parábola, sem dúvida, é um retrato do reino de Deus, o dono da casa. O servo é o Espírito Santo. A grande ceia é o Evangelho de Cristo.
         Duas coisas nos chamam muito a atenção nessa parábola: as pessoas convidadas (escolhidas) e a forma como foi feito o convite. "Sai depressa pelas ruas e bairros da cidade e traz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos. Disse o servo: Senhor, está feito como mandaste, mas ainda há lugar. Então disse o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados e força-os a entrar, para que a minha casa se encha". Deus escolhe uma categoria muito interessante de pessoas: pobres, aleijados, cegos e mancos. Bem por isso, a oração de gratidão do Filho de Deus: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" (Mateus 11:25). Deus não escolhe aqueles que são sábios e entendidos aos seus próprios olhos. Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes, conforme se verifica em Tiago 4: 6 e I Pedro 5:5. Lemos, ainda, em Mateus 9: 12 e 13; Marcos 2:17; e Lucas 5: 31 outras categorias de escolhidos, a saber, os doentes e pecadores. Logo, o banquete do Evangelho é servido para pobres, aleijados, cegos, mancos, humildes, doentes e pecadores, e a questão aqui não é de classe social, mas de estado da alma.
         Quanto ao convite, nota-se que os marginalizados e doentes não foram bater à porta da casa. Ao contrário, o servo do dono da casa é que foi chamá-los pelas ruas e bairros da cidade; pelos caminhos e valados. A chamada não pôde ser resistida: a ordem foi "traz aqui" e "força-os a entrar". A chamada também foi eficaz, vez que todos a quem o senhor quis buscar participaram da ceia. Estes nada fizeram para merecer o convite. Eles não realizaram portentos, não prestaram favores, não trouxeram presentes, não compraram ingressos, não bajularam o dono da festa e nem entraram de penetra. Quem os colocou lá dentro foi o servo do dono da festa, por ordem deste. Que grande ilustração da graça de Deus!
         Logo se vê que a graça é para os falidos. O convite é para muitos, mas a graça se demonstra eficaz para quem nada merece. Os justos (com sua justiça própria), os ricos (que colocam a esperança e o coração nas riquezas), os soberbos e arrogantes (com um rei na barriga), os sábios e entendidos (aos seus próprios olhos), não alcançam a graça de Deus. Até ouvem falar dela, recebem o convite para participar do banquete, mas acabam ficando do lado de fora por vários motivos, sendo o principal deles o julgar ser mais importante cuidar dos próprios interesses do que participar de uma festa para a qual em nada contribuíram. A graça é, pois, um convite gratuito, mas que só é irresistível para aqueles que são escolhidos por Deus, vale dizer, aqueles que de fato precisam dela pelo próprio estado em que se encontram: pobres, aleijados, doentes, pecadores, enfim, humilhados e abatidos por dentro, e muitas vezes também por fora, em razão do convencimento do pecado realizado pelo Espírito Santo (João 16:9).
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CONTINUA...
 

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